domingo, 2 de setembro de 2007

Tu vais ser sempre "tu"

Não posso escrever o beijo

Às vezes não sei o que dizer e fico com as palavras
olho só
para ti,
lá fora para o teu cabelo em equilibrio quando atravessas a estrada no jeito sinuoso de quem vence
o vento
ou quando no estado terno do teu sono te encontro no meu peito
às vezes há coisas que nunca digo
e espero que não morram como se dizê-las fosse quebrá-las,
roubar-lhes magnificiência há coisas que não digo,
mas nunca esqueço:
a casa que são as tuas mãos, a tua mão sobre a minha mão os teus olhos a chamarem-me,
o teu sorriso a invadir-me
perguntas em que penso e eu digo penso em nada
como se o nada cobrisse a mente e o pensamento de quem ama
como se nada fosse maior do que o nada em que o mundo se torna
não quero dizer não quero dizer todas as imagens ou todos os tons da tua voz que ainda não sei como escrever não sei escrever as tuas mãos não posso escrever as tuas mãos não posso escrever o beijo.

Tânia Serra, guardado

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