quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Love"hoolic"

Acho que consigo compreender bem os drogados e essa malta que anda nos copos e não se consegue desligar deles.
Ao início é bom, sabe bem. Como sabe bem investe-se que é uma coisa parva. E a teia pegajosa vai-se instalando até que um dia queremos sair e não dá.
Estou presa. Quero ser forte. Quero cortar o ciclo vicioso e não consigo. É o melhor, sei que é o melhor e não consigo optar pelo melhor para mim. Masoquismo. Sim, também..mas não só. Essencialmente "perda" e "abandono" são as palavras-chave que me angustiam.
Não valho nada. E no meio de tantas situações limite, no meu íntimo tantas vezes tudo se resume a essas palavras que me deixam na solidão comigo própria. Às vezes acho que merecia um pouco mais. Outras nem por isso.
Cada um tem aquilo que merece, não é assim que reza o ditado?

Bad day

Apareci no dia marcado. "Vai ser dia 27" - disse o médico. Cumpridora como sempre tento ser, não lhe podia falhar. Nasci com pouca vontade de chorar, mas houve alguém que se encarregou de me pôr as cordas vocais a funcionar com aqueles gritos estridentes, ensurdecedores e angustiados que só os bebés sabem emitir. Estava difícil a tarefa, mas quem quer que fosse que se propôs a trazer-me à Vida, estava realmente decidido a fazê-lo. Não sei se lhe deva agradecer. Supostamente, se não tivesse levado aquelas energéticas palmadas para começar a respirar, hoje não estaria aqui. Não sei se se perderia grande coisa. Não considero que faça tanta diferença assim na vida das pessoas a quem estou ligada por algum motivo, seja familiar, de amizade ou profissional.
Hoje é assim que começa a minha história. Sinto-me magoada. Não das palmadas que levei quando nasci.
As coisas mais importantes têm simplesmente corrido pelo rio, água abaixo, e eu estou numa margem a vê-las passar. Estática. Bloqueada. Parada.
Sinto que estou a perder alguém que Amo. É terrível.
Às vezes dá vontade mesmo de não ter nascido.
Já lho disse tantas vezes... - "Amo-te" - mas por mais vezes que diga, agora é inútil. Parece que só tem o efeito contrário. Estou a perdê-la.
Tenho medo, tenho raiva, tenho vontade de chorar. Choro. Invade-me uma tristeza que se verte em lágrimas.
Desta vez não foram preciso palmadas.

domingo, 26 de agosto de 2007

a dificuldade do princípio

Nunca achei piada escrever em blogs.
De certeza quando amanhã ou outro dia voltar a "postar" vou ler o que está para trás e achar "hoje nunca escreveria nada daquilo". Vou tentar nunca apagar nada do que escrevo por mais estúpido que seja.
Talvez assim consiga começar a aceitar naturalmente determinados factos da minha vida sem ter a tentação de os eliminar (como aqui consigo fazer) e colocar no saco do inconsciente até eles aparecerem de novo sob a forma fantasmas pujantes de energia delicadamente perturbante.
É duro aceitarmo-nos e aceitar tanta m*rda injusta que acontece na vida. Às vezes por falta de conhecimento, outras por falta de descernimento, por acidente ou por distracção, ou simplesmente e, muito mais difícil de aceitar, por incapacidade, há sempre uma desculpa para os erros que cometemos.
Pior ainda quando temos consciência que não cometemos erros e nos julgam por os termos cometido.
Há erros que nos saem bem caros e que não parecem ter desculpa. Complicado o meu superego. Não perdoa.
Qualquer princípio é difícil. Crescem as expectativas e a ansiedade em relação à mudança, ao novo. Perdem-se as forças quando repetidamente se pensa..."ou não, outra vez de novo". Mas de repente num salto de fuga ao medo atiro-me para o desconhecido enfrentando-o muitas vezes com demasiada brutalidade...
É sempre um grande desafio colocar os mais íntimos pensamentos à mercê do julgamento dos outros...tantas vezes hipócritas e falsos moralistas. Está na Natureza humana. Nada a fazer.