Apareci no dia marcado. "Vai ser dia 27" - disse o médico. Cumpridora como sempre tento ser, não lhe podia falhar. Nasci com pouca vontade de chorar, mas houve alguém que se encarregou de me pôr as cordas vocais a funcionar com aqueles gritos estridentes, ensurdecedores e angustiados que só os bebés sabem emitir. Estava difícil a tarefa, mas quem quer que fosse que se propôs a trazer-me à Vida, estava realmente decidido a fazê-lo. Não sei se lhe deva agradecer. Supostamente, se não tivesse levado aquelas energéticas palmadas para começar a respirar, hoje não estaria aqui. Não sei se se perderia grande coisa. Não considero que faça tanta diferença assim na vida das pessoas a quem estou ligada por algum motivo, seja familiar, de amizade ou profissional.
Hoje é assim que começa a minha história. Sinto-me magoada. Não das palmadas que levei quando nasci.
As coisas mais importantes têm simplesmente corrido pelo rio, água abaixo, e eu estou numa margem a vê-las passar. Estática. Bloqueada. Parada.
Sinto que estou a perder alguém que Amo. É terrível.
Às vezes dá vontade mesmo de não ter nascido.
Já lho disse tantas vezes... - "Amo-te" - mas por mais vezes que diga, agora é inútil. Parece que só tem o efeito contrário. Estou a perdê-la.
Tenho medo, tenho raiva, tenho vontade de chorar. Choro. Invade-me uma tristeza que se verte em lágrimas.
Hoje é assim que começa a minha história. Sinto-me magoada. Não das palmadas que levei quando nasci.
As coisas mais importantes têm simplesmente corrido pelo rio, água abaixo, e eu estou numa margem a vê-las passar. Estática. Bloqueada. Parada.
Sinto que estou a perder alguém que Amo. É terrível.
Às vezes dá vontade mesmo de não ter nascido.
Já lho disse tantas vezes... - "Amo-te" - mas por mais vezes que diga, agora é inútil. Parece que só tem o efeito contrário. Estou a perdê-la.
Tenho medo, tenho raiva, tenho vontade de chorar. Choro. Invade-me uma tristeza que se verte em lágrimas.
Desta vez não foram preciso palmadas.
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